Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Cartas de Amor IV



"Não passei um dia em que não te amasse. Não passei uma noite sem te abraçar. Nem sequer bebi uma chávena de chá sem amaldiçoar o orgulho e a ambição que me forçam a estar longe do espírito que me anima a minha vida. No meio dos meus deveres, quer esteja a frente dos exércitos ou em visitas de inspecção, só a minha amada Josephine se ergue no meu coração, ocupa a minha mente, preenche os meus pensamentos. Se me afasto de ti com a velocidade da torrente do Rhône, é para mais depressa te voltar a ver. Se me levanto a meio da noite para trabalhar, é para apressar em poucos dias a chegada do doce amor.

(...) O meu espírito está sombrio, o meu coração agrilhoado e aterrorizado com as minhas fantasias...já não me amas, mas vais ultrapassar a perda. Um dia deixarás de me amar de todo, pelo menos diz-me;
Então saberei porque mereci tanta infelicidade...até breve minha esposa, tormento, alegria, esperança e ânimo da minha vida, a quem eu amo, a quem eu temo, que me enche de ternos sentimentos, com que a natureza me atrai com os violentos impulsos, tão tumultuosos como o trovão.
Não te peço nem amor eterno, nem fidelidade, apenas...verdade, honestidade sem limites.
O dia em que disseres que não me amas, marcará o fim do meu amor, e o ultimo da minha vida.
Se o meu coração fosse tão vil que amasse sem ser amado, despedaçava-o Josephine!

(...) Deixaste de me amar? Desculpa-me, amor da minha vida, a minha alma está exaurida por forças antagónicas. O meu coração, obcecado por ti, está cheio de medos que me prostram na tristeza...Sinto-me incapaz de dizer o teu nome."

De Napoleão Bonaparte para Josephine

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