"Não passei um dia em que não te amasse. Não passei uma noite sem te abraçar. Nem sequer bebi uma chávena de chá sem amaldiçoar o orgulho e a ambição que me forçam a estar longe do espírito que me anima a minha vida. No meio dos meus deveres, quer esteja a frente dos exércitos ou em visitas de inspecção, só a minha amada Josephine se ergue no meu coração, ocupa a minha mente, preenche os meus pensamentos. Se me afasto de ti com a velocidade da torrente do Rhône, é para mais depressa te voltar a ver. Se me levanto a meio da noite para trabalhar, é para apressar em poucos dias a chegada do doce amor.
(...) O meu espírito está sombrio, o meu coração agrilhoado e aterrorizado com as minhas fantasias...já não me amas, mas vais ultrapassar a perda. Um dia deixarás de me amar de todo, pelo menos diz-me;
Então saberei porque mereci tanta infelicidade...até breve minha esposa, tormento, alegria, esperança e ânimo da minha vida, a quem eu amo, a quem eu temo, que me enche de ternos sentimentos, com que a natureza me atrai com os violentos impulsos, tão tumultuosos como o trovão.
Não te peço nem amor eterno, nem fidelidade, apenas...verdade, honestidade sem limites.
O dia em que disseres que não me amas, marcará o fim do meu amor, e o ultimo da minha vida.
Se o meu coração fosse tão vil que amasse sem ser amado, despedaçava-o Josephine!
(...) Deixaste de me amar? Desculpa-me, amor da minha vida, a minha alma está exaurida por forças antagónicas. O meu coração, obcecado por ti, está cheio de medos que me prostram na tristeza...Sinto-me incapaz de dizer o teu nome."
De Napoleão Bonaparte para Josephine



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