Não esperava ver-te tão cedo, na verdade, esperava que passasse muito tempo até reencontrar-te.
Não fiques triste com as minhas palavras, a minha alma continua presa a tua.
Tenho para mim, que esta pena desconhece a existência de limites legais e que o meu crime de amar-te terá como sentença perpétua pertencer-te.
Este reencontro inesperado foi no entanto diferente de qualquer outro que tivemos.
Desta vez, sabia que não me presentearias com o teu melhor sorriso. Que não veria espelhado no reflexo dos teus olhos o teu amor por mim.
Sabia que não me estenderias os braços, esperando que te abraçasse e que não ouviria a tua voz doce e alegre dizer-me quanta falta te fiz...
Enquanto voava para ti, senti-me pela primeira vez nervosa e inquieta por estar contigo.
Tentei ensaiar mentalmente o que te diria.
Imaginei qual seriam as tuas respostas e que respostas daria a estas.
Tentei prever as tuas reacções e como reagiria a elas.
Preparei-te o meu melhor discurso.
E quando ficamos frente a frente, aproximei-me, sentindo o teu olhar pregado no meu e tal como esperava, não sorriste.
Não me estendeste os braços.
Nem falaste.
Permaneceste sentado, estático, como um ser inanimado. Nem nos teus olhos via vida.
O silêncio envolveu-nos e ficamos assim o que pareceu-me uma eternidade.
Tentei em vão falar, dizer-te alguma coisa...mas o discurso que tinha preparado parecia naquele momento ao ver-te tão estúpido.
Este ausencia de som deixou-me desconfortável. Tudo era atípico neste reencontro. Até o silêncio.
Sentei-me no teu colo, tomei-te nos meus braços e abracei-te...
Finalmente senti-te quebrar e encostado a mim, choraste, num som mudo todo o teu desespero...
Sussurrei-te ao ouvido palavras do coração.
Nada do que dissesse ia atenuar a dor que te rasgava o peito. Mas quando adormeceste nos meus braços, soube que não eram de palavras que precisavas de ouvir, mas as que te disse foram suficientes.
Eu estou contigo.
Tu não estás só.
Nunca te vou abandonar.



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